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Jogo simula atuação do Executivo, Legislativo e Judiciário para ensinar política

Jogo simula atuação do Executivo, Legislativo e Judiciário para ensinar política
14/07/2017

Um jogo que simula os problemas reais do Executivo, do Legislativo e do Judiciário foi a forma encontrada por instituições sociais para ensinar política para os jovens brasileiros. O Jogo da Política nasceu há dois anos após o resultado da pesquisa Sonho Brasileiro da Política mostrar que 64% dos 1.400 entrevistados, de 18 a 32 anos, achavam que política tinha que ser discutida nas escolas.

A partir desta informação, as pesquisadoras Carla Mayumi e Beatriz Pedreira, responsáveis pelo estudo, se uniram à agência escola de jornalismo Enóis Inteligência Jovem e ao laboratório de cultura digital LabHacker, representado pelo ativista social Pedro Markun, e desenvolveram, com a ajuda de um designer, um protótipo de metodologia para ensinar política nas escolas.

Foram criados três jogos, um para cada poder, durante imersões feitas com jovens de diferentes idades e classes sociais. No ano passado, o grupo passou a contar com a coordenação pedagógica da educadora Denise Curi, que elaborou um manual para professores. Desde então, cerca de 800 estudantes e cem educadores já participaram do jogo, lançado oficialmente na Câmara Municipal de São Paulo em 2 de junho deste ano.

Cada jogo tem uma dinâmica própria. No jogo do Executivo, os jovens aprendem a organizar e distribuir o orçamento de uma cidade. Primeiro, imaginam como dividiriam o valor disponível de acordo com o que acreditam que seria o correto. Depois, começam a ter que lidar com as limitações. Não podem tirar dinheiro da previdência e do salário dos funcionários, por exemplo. Percebem que precisam fazer escolhas difíceis, que refletem a visão de mundo de cada um.

No jogo do Legislativo, o trabalho é criar um projeto de lei. Algumas fotos trazem cenas em que é possível ver quais leis estão sendo cumpridas ou não. Há uma discussão sobre as leis que regem a nossa vida e sobre onde estão escritas. Os jovens são convidados a redigir dez leis para uma cidade fictícia. Têm que debater, descobrir quais delas são fundamentais, o que precisa estar lá. Eles precisam argumentar para explicar seus motivos e escrever de forma clara. Com isso, percebem a dificuldade do trabalho de um vereador e de um deputado. Eles também se dividem em partidos e votam de acordo com eles.

O jogo do Judiciário aborda a justiça criminal. Estão presentes em um julgamento fictício o juiz, a promotoria, a acusação, a defesa, o júri e a imprensa. Cada um interpreta seu papel. Há evidências, provas, indícios, suspeitas. Os jovens têm que escrever, argumentar e explicar suas ideias. Entre outros temas, discutem questões como poder da mídia e verdade.

“É um jogo interdisciplinar, que aborda a complexidade da política de um jeito prático. Mostra como funcionam as regras do jogo, as dificuldades, a prática, a realidade. Simula o fazer político. Desenvolve empatia pela política e pelos políticos. O jovem aprende quem é responsável pelo quê. Em um momento de crise como o atual, principalmente na política, é fundamental entender para fazer críticas e escolhas”, explica Denise Curi.

De acordo com a educadora, o jogo está alinhado com os quatro pilares da educação da Unesco: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser. Trabalha também os eixos cognitivos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – dominar linguagens, compreender fenômenos, enfrentar situações-problema, construir argumentações e elaborar propostas.

Na fase de testes, o jogo passou por algumas cidades do país. Em São Paulo, esteve em escolas públicas, como a Escola Estadual Amélia Kerr e a Escola Estadual Caetano de Campos, e particulares, como o Colégio Madre Cabrini – onde os alunos propuseram a criação de um quarto jogo, o das eleições -, o Bandeirantes e a Escola Nossa Senhora das Graças, o Gracinha, além de instituições como o Instituto Alana e a ONG CTC Digital. “Conversar com escolas e universidades que estão pensando em integrar o jogo ao currículo é maravilhoso. É o que a gente sonhou”, diz Carla Mayumi.

Nas cidades de Gavião Peixoto (SP) e Monte Carmelo (MG), o jogo chegou no ônibus Hacker, do Lab Hacker, em uma viagem que teve como destino final a capital Brasília em agosto de 2015. Em Gavião Peixoto, uma turma de alunos de escola pública conheceu o jogo do Legislativo. Os adolescentes discutiram os problemas do município de 4.400 habitantes e definiram temas que consideravam mais importantes – educação e animais abandonados. Depois, escreveram dois projetos de lei, pediram assinaturas pela cidade e foram à Câmara Municipal. “Chegamos com a galera na Câmara. Eles disseram que queriam protocolar projetos de lei. De alguma maneira, os vereadores vão ter que discutir os temas” conta Amanda Rahra, co-fundadora da Enois.

Neste ano, Denise Curi e Pedro Markun levaram o jogo ao evento Missão Pedagógica no Parlamento em Brasília. O projeto foi apresentado a 60 educadores de escolas públicas de todo o Brasil. “Agora estamos focando especialmente na formação de professores. Acreditamos que o mais importante é que o jogo fique na escola, para não ter que chamar a gente todo ano. O professor pode aprender, colocar dentro da disciplina dele, criar um projeto com outros professores, trabalhar muito com a escola inteira. É um projeto de educação política, para a democracia e a cidadania”, diz Denise.

Há propostas de aplicação do projeto sendo analisadas por prefeituras, instituições de ensino superior, partidos políticos, entre outros. “Tem muitas ONGs e fundações que atuam com educação interessadas. Em São Miguel Paulista (zona leste de São Paulo), querem aplicar com moradores para discutirem as necessidades do bairro. O jogo foi desenhado pensando na escola e no aluno do ensino médio, mas isso não é uma limitação. Podemos falar com adultos, universitários, mestres, doutores, advogados. Alguns deles jogam e dizem ‘nossa, isso aqui eu não sei’”, conta Carla.

O Jogo da Política pode ser baixado gratuitamente do site jogodapolitica.org.br. Há ainda a opção de comprar uma caixa, que sai por R$ 250. Interessados podem contratar capacitações para facilitadores, como a formação de educadores, a oficina de introdução ao jogo e a aplicação da metodologia.

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