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Lápis x teclado: O que sabemos sobre como aprendemos a escrever

Lápis x teclado: O que sabemos sobre como aprendemos a escrever
06/11/2017

O que se perde e quais benefícios existem quando a tecnologia substitui a escrita à mão

Assim como muitas outras habilidades, a boa escrita depende da prática. Experimente perguntar isso a Jane Hyatt Yolen, autora e editora de mais de 280 livros, cujas citações mais notáveis incluem: “Exercite o músculo da escrita todos os dias, mesmo que seja somente uma letra, anotação, lista, esboço de personagem ou artigo de jornal. Escritores são como dançarinos, como atletas. Sem exercícios, os músculos travam”.

Mas o que as pesquisas dizem sobre aprender a escrever em uma era cada vez mais digital e sobretudo como encontrar um bom exercício para nossos alunos trabalharem o músculo? Pesquisadores contam ao EdSurge que a mudança da escrita à mão para a digital poderia ter efeitos negativos sobre jovens leitores e escritores, mas alguns educadores avaliam que a tecnologia e as mídias sociais permitem criar novas maneiras para engajar estudantes no processo de escrita.

Quando se fala em escrita e tecnologia, alguns estudos sugerem que escrever à mão é melhor para a memória – mas Ron Kellogg, professor da área de cognição e neurociência da Universidade de Saint Louis, nos Estados Unidos, reitera que esse não é o ponto final da história.

Ele explica que escrever um artigo ou relato é um processo complexo que combina produção de linguagem, recuperação de memória e raciocínio. Para ele, é justamente no aprendizado do processo de escrita, e não na recuperação de memória, que o debate digitação versus escrita manual fica mais interessante.

“Existe uma preocupação que a nova geração não tem aprendido a escrever à mão e por isso tem demonstrado um desempenho pior em leitura, e não ler bem afeta a capacidade de escrita”, diz Kellogg, que estuda escrita e cognição desde o meio dos anos 1980. Por conta disso, diz ele, diminuir a importância da escrita à mão pode ser um problema.

Neurocientistas já sugeriram isso antes. Em 2014, Edouard Gentaz, um professor de psicologia do desenvolvimento na Universidade de Genebra, na Suíça, declarou ao jornal britânico The Guardian que ignorar a escrita manual pode influenciar o modo que estudantes aprendem a ler. “Desenhar cada letra à mão melhora substancialmente seu reconhecimento posterior”, disse.

Aquele artigo afirmava que “apesar de aprender a escrita manual ter um papel importante na leitura, não é possível dizer se o meio afeta a qualidade do texto em si”. Entretanto, Andrew Dillon, professor de psicologia da Universidade do Texas, em Austin, também nos Estados Unidos, considera que o ato físico de escrever pode de fato influenciar a capacidade do estudante para criar textos mais longos e profundos.

“O ato de escrita à mão realmente demanda uma atenção ao processo (de escrita)”, disse Dillon. O verdadeiro ato físico de escrever “atrai a atenção, o que significa que o processo de aprendizagem é mais concentrado para a escrita manual do que durante a digitação. Isso é certamente importante na aprendizagem precoce dessa habilidade.”

Jocelyn Chadwick, ex-educadora de inglês e atual presidente do Conselho Nacional de Professores de Inglês, adota uma posição mais progressista a respeito de teorias sobre escrita, digitação e ensino de alunos sobre como elaborar um texto. Para ela, o que funciona melhor, tanto para os estudantes anteriores aos da geração dos smartphones quanto para os atuais, tem sido a exposição a todos os tipos de escrita, seja na forma de literatura, conteúdos jornalísticos, ou anúncios publicitários. Atualmente, ela diz que a mesma ideia se aplica a ferramentas digitais, como mensagens de texto ou plataformas de redes sociais como o Snapchat. O objetivo é expô-los a diferentes formatos em que a escrita é necessária – e envolver os alunos para aprender a escrever em qualquer nível (ou plataforma) em que esses conteúdos se encaixam.

“Ensinar escrita, como a cursiva, é apenas a parte mecânica”, diz Chadwick. “Se todos nós consideramos escrita como não sendo algo mecânico, mas que nos rodeia o tempo todo, então [escrever] não seria tão assustador quanto fizemos transparecer para os estudantes, com fórmulas de ensaio com cinco parágrafos. ”

Grande parte da pesquisa de Dillon está concentrada no texto digital e na cognição. Ele está interessado em estudar como a escrita se modificou ao longo do tempo. É por isso que ele desafia a abordagem – pelo menos quando envolvem redes sociais ou outras formatos com limite de 140 caracteres.

“Eu entendo que o objetivo do uso das mídias sociais é motivar os alunos, mas o que testemunhamos é uma grande diminuição do texto médio”, diz Dillon. “O próprio formato é restrito. Existem padrões de comunicação que não podem ser reduzidos quando se deseja comunicar plenamente as ideias”.

Dillon afirma que ele testemunha os efeitos disso mesmo em sua própria casa: “Não vejo que a escrita manual está desaparecendo, mas vejo sua importância sendo modificada. Eu vejo isso acontecendo com meu filho adolescente. ”

Se tivéssemos nos encontrado com Chadwick há dez anos, ela disse que sua opinião teria sido diferente, e talvez não estivesse tão aberta a incluir envio de mensagens de texto e uso de redes sociais em sua pedagogia. Mas nos últimos anos, ela tem valorizado as ferramentas de escrita digital – e acredita que elas podem ser eficazes no aprendizado quando usadas de uma maneira que ainda oferece aos alunos os mesmos processos que a escrita sempre envolveu: pensar, editar, cometer erros ou até mesmo recomeçar tudo.

“Algumas psicologias dizem que você não pode manipular uma página em um tablet [como você pode uma folha de papel física]. Mas eu posso fazer isso com uma caneta da Apple no meu [dispositivo] “, diz Chadwick. “Eu posso desenhar, ler e destacar notas na margem. Eu também posso fazer uma anotação em um rascunho e depois imprimi-lo.”

Claro que Chadwick não defende um total domínio da tecnologia quando se trata de ensinar os alunos a escrever. Tal como acontece com a maioria das aulas, ela diz que o aprendizado acontece quando um professor usa o que funciona melhor para o aluno.

“Também não é um ou outro, é uma mistura”, diz Chadwick. “E a mistura vem onde alcançamos nossos alunos.”

Por Sydney Johnson, do EdSurge 

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