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Outubro Rosa: A história de nossa acadêmica que venceu o câncer de mama

Outubro Rosa: A história de nossa acadêmica que venceu o câncer de mama
31/10/2017

 “Quando me vi sem cabelos diante do espelho, eu não chorei e nem deixei minha autoestima cair. Percebi que eu era mais do que uma mulher com cabelo. Me achei muito bonita. Percebi que minha testa e meu nariz eram bonitos e ficaram mais valorizados. Eu teria de superar aquilo. Coloquei um lenço na cabeça e fui para o shopping”.

 A queda do cabelo pode ser um dos momentos mais tristes para a mulher que luta contra o câncer mas para Ana Maria Dias da Costa foi o momento em que ela percebeu que precisava se valorizar e recuperar o amor próprio. Para vencer o câncer de mama, ela dependia primeiramente de si.  O apoio da família e dos amigos, também fundamentais, já tinha.

 Ana foi diagnosticada com um carcinoma invasivo de metástase - tumor que  invade os tecidos da mama e ainda pode enviar células malignas para órgãos como o pulmão, cérebro e ossos. Era 2014, o ano em que ela estava muito realizada por ter sido promovida ao cargo de gerente da Escola Pública de Trânsito (Eptrans), função que ocupa até hoje. Educadora, formada em Educação Física, possui longa carreira na Prefeitura Municipal de Joinville.  

Curiosamente, o exame clínico da servidora pública já se mostrava alterado desde 2013 sem que ela soubesse e o câncer foi descoberto no final de 2014. “A secretária do consultório me disse que nem todo mundo teve a sorte que eu tive de ficar por mais de um ano com um tumor tão agressivo e apresentar ainda 75% de cura. Aquilo me marcou muito, me chacoalhou", lembra.

Por sempre ter feito os exames femininos preventivos e por se consultar com o ginecologista anualmente, a servidora pública alega que não tinha motivos para desconfiar de qualquer doença. Ana revela que por causa da rotina corrida demorou meses para buscar o exame médico, mas, por outro lado, aponta que a clínica não a informou do resultado do exame. “Ao ver meu exame de mamografia com os valores fora do padrão, agendei logo a consulta com o mastologista, mas continuei muito tranquila, afinal sempre cuidei da saúde. Era setembro e precisei esperar até novembro para ter acesso ao médico”, aponta. 

Após a consulta com o mastologista, Ana precisou repetir os exames e fazer uma biópsia embora o médico não tivesse mencionado nada ainda. “Ele foi muito cauteloso e rápido”, resume. Ela teve a certeza sobre a doença quando recebeu uma ligação do consultório do mastologista. “Cai num choro, fiquei desesperada. Eu  não queria ir à consulta pois sabia que o caso era grave já que o médico desejava me ver ainda naquele dia”, justifica.

Com o diagnóstico de um tumor maligno de 2,3 centímetros,  Ana teve uma sequência de dias intensos: exames complexos e doloridos, diversas consultas médicas, problemas com a operadora de plano de saúde, incertezas, e um Natal e Ano Novo que ninguém da família gosta de lembrar.  
 Em nove de janeiro de 2015, a educadora passou por uma cirurgia de mastectomia (retirada total) da mama direita, onde descreve que foi apreensiva para o hospital, acompanhada pelos pais. O marido, que trabalhava como mecânico de helicóptero em São Pedro de Aldeia, ao lado do Cabo Frio, no Rio de Janeiro, precisou se afastar do trabalho para ficar com os filhos, que tinham 12 e oito anos na época, e para dar apoio à mulher nessa fase. 

Mesmo com a cirurgia sendo um sucesso, o tratamento só estava começando. Em fevereiro do mesmo ano, a oncologista de Ana explicou a necessidade da implantação do cateter, tubo especial inserido numa veia maior para evitar punções repetidas, etapa anterior para certos pacientes que realizam a quimioterapia. Segundo ela, este foi o processo mais invasivo do tratamento. "Eu já estava sensível de tudo e este procedimento foi dolorido demais. Tive a sensação de como se tivessem me violentado, mas aquilo fazia parte do tratamento", recorda.  Ciente das quatro sessões de quimioterapia vermelha e de mais 12 sessões de quimioterapia branca, a oncologista enfatizou: "- Ana, você pode ter enjoo, constipação, vômito, mas o que você vai ter de certeza é a perda do cabelo. Dentro de 15 a 30 dias”, detalha. 

Já após a primeira sessão de quimioterapia vermelha, a servidora pública sentia que estava ficando careca aos poucos. "Por todo lugar que eu ia, os fios de cabelos caíam aos montes. Minha mãe então me disse que ia raspar meu cabelo e eu topei. Depois que terminou, ela deu um suspiro, aliviada, e me disse: - Ufa, achei que não ia conseguir", se emociona. 

Ana enumera dezenas de ações positivas que a marcaram durante o processo: "Minha mãe cozinhava quase que diariamente para mim por causa da necessidade da dieta de quem tem câncer, e junto com meu pai me ajudaram a cuidar dos meus filhos quando eu estava debilitada. Meus colegas de trabalho, principalmente os do meu setor, além dos funcionários em geral da  Prefeitura, me apoiaram muito. Os profissionais de saúde se tornaram meus amigos. Meus dois irmãos me ajudaram muito sempre. Meu esposo me levava todos os dias para Jaraguá do Sul para as sessões de radiologia, o que foi muito desgastante para a gente na época. Minha família me ajudou com meus filhos pequenos porque para eles não era fácil assimilar que a mãe se tratava de uma doença que mata, usava lenço na cabeça e passava por um tratamento que havia mudado toda a rotina e a vida da família".

O último verão, de 2016 para 2017, foi muito comemorado pela servidora que havia recebido a notícia de cura do câncer e da autorização da retirada do cateter. No início deste ano, ela tomou outra decisão importante: voltar a estudar. Incentivada por uma amiga e vizinha, ambas se matricularam no curso de Pedagogia da Aupex/Uniasselvi. A amiga hoje trabalha como auxiliar em um Centro de Educação Infantil.  Ana percebeu no curso a abrangência da Pedagogia cujos métodos ela poderia aplicar em seu trabalho como gerente. “Além de aprender novamente, é mais uma faculdade que faço e me abre novos campos de conhecimento. Quem sabe a Pedagogia não se torna uma opção para depois que eu me aposentar, daqui a alguns anos?”, aposta.

Ana tem como tutora a mestre Lidiane Soares, que descreve ter uma grande afinidade e uma interação imensa. Para ela, estudar, aprender com a tutora e debater as disciplinas em sala com a turma PED 1820 estão sendo um momento de muito aprendizado. 

A reconstrução mamária, seu sonho no momento, terá de ser realizada só mais adiante. Ana não foi autorizada para fazer a cirurgia neste ano. Ela continua sendo acompanhada pelos médicos e realiza os exames periodicamente. Aprendeu uma grande lição na vida: de sempre acompanhar seus exames médicos e buscá-los dentro do tempo. Mas mais do que isso, Ana Maria Dias da Costa tem orgulho de lembrar que superou todas as fases difíceis que os dois últimos anos lhe reservaram. “Eu venci o câncer e quero que todas as mulheres que enfrentam esta doença tenham a consciência de que a doença tem cura”, exalta.   

Ana com o filho mais velho

Ana com o filho mais velho

 

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