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“Quero me ajudar e poder ajudar outras pessoas”, afirma aluno autista do curso de Terapia Ocupacional da Aupex Uniassselvi

Você já precisou de terapia ocupacional? Desde bebê a idosos podem precisar desse profissional quando for identificado dificuldades na execução de tarefas inerentes à faixa etária da pessoa ou de ações cotidianas. Além disso, se coisas que sempre foram feitas de forma natural passaram a se tornar empecilhos há um sinal de alerta para avaliação deste profissional. Situações mais conhecidas que envolvem essa terapia são: crianças e adolescentes com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, pessoas em recuperação de AVC, de doenças degenerativas, de pós cirurgia, com déficits físicos, sociais e mentais, etc.

Contudo, algumas atividades que pareçam muito simples como escovar os dentes, trocar de roupa, usar talheres, fazer uma tarefa escolar, podem ser resultantes de condições de saúde que impedem ou dificultam sua realização adequada como o autismo, por exemplo. Conforme o DSM 5 – Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizado pelas dificuldades de comunicação e interação social e também os comportamentos restritos e repetitivos.

É o caso do calouro de Bacharelado de Terapeuta Ocupacional João Lucas Felício Soares, 20 anos, que é autista. João precisou da terapia ocupacional (TO) desde os seis anos de idade para aperfeiçoar as habilidades do cotidiano e o desenvolvimento psicomotor. “A terapia ocupacional sempre foi muito importante para mim em relação às tarefas diárias, como lavar louça, arrumar o quarto, para as interações sociais”, pontua. A mãe do aluno, Monica xx, aponta que aos três anos de idade, ainda mais cedo, João precisou de outras terapias com fonoaudióloga e psicóloga para reverter o atraso no desenvolvimento que apresentava na época.

Antes de ingressar na faculdade,  João ainda cursou Informática. Mas foi com a  TO que ele buscou seu propósito e encontrou. A atividade foi  tão significativa para a vida que o acadêmico ao descobrir o curso de Bacharelado semipresencial em Terapia Ocupacional da Uniasselvi decidiu que essa seria sua profissão. “Quero me ajudar e poder ajudar outras pessoas. Estudando e entendendo os processos inerentes à profissão, vou conseguir melhorar minhas atividades no dia a dia, me entender cada vez mais e, claro, contribuir com o desenvolvimento dos meus pacientes quando eu estiver atendendo”, analisa.

Para ele, o método semipresencial é perfeito. João assiste acompanha a aula uma vezes por semana em casa ao vivo, faz as provas online, e a prova presencial no polo Saguaçu, estudando em casa os materiais de estudo, pelo ambiente virtual e pesquisando. Ele conta com o suporte de sua mãe, com quem mora e quem o ajuda nos estudos e nas atividades domésticas, além da ajuda do pai Cícero. “Meus pais são separados mas são meus grandes amigos, sempre me auxiliaram e me incentivaram”, destaca.

O calouro se sente muito realizado nessa nova etapa de sua vida por iniciar a jornada acadêmica, algo que, no passado foi uma incógnita.  Isso porque o autismo limita a vida de várias pessoas que, muitas vezes, não conseguem alcançar o ensino superior devido a dificuldades como fobias, dificuldades de compreensão, depressão, grande dependência nas atividades cotidianas, rigidez, entre outras características, a depender do nível de suporte, que se divide em três níveis: leve, moderado e severo, respectivamente, correspondentes aos níveis 1, 2 e 3 de suporte. Portanto, ainda não é muito comum ver profissionais que concluíram a faculdade e estão no suporte de nível 2, como é o caso do acadêmico.

Ele explica os níveis de suporte do autismo: “O autismo leve, nível de suporte um, é quando a pessoa geralmente tem comportamento inflexível e não tem prejuízo na linguagem funcional. No nível moderado, a pessoa tende a ter habilidades sociais limitadas, dificuldade em lidar com mudanças, dificuldade para se expressar algumas vezes. E no nível severo, a pessoa tem graves dificuldades de comunicação e dependência em muitas atividades do seu dia a dia”.

O futuro terapeuta ocupacional, portanto, considera o nível superior como uma superação. João adianta que costuma ficar extremamente ansioso quando acontecem as provas de cada disciplina, mas com o incentivo dos pais e com o auxílio especial da mãe, nesse momento,  as coisas se resolvem de forma mais tranquila. Mônica, por sua vez, conta uma curiosidade a respeito da forma como o filho estuda e surte resultados: “Todo autista tem um hiperfoco e o do João Lucas é sobre cinema. Ele sabe tudo sobre filmes, atores, produção em geral. Mas hoje sabe separar bem, o que é o seu propósito e seu lazer”, explica. E continua: “Mas  é importante ressaltar que pelo grande conhecimento em filmes, ele consegue gravar e relacionar muito o seu aprendizado com cenas de filme que assistiu”, analisa.

João resume que a faculdade tem sido de muito aprendizado, além de muito prazerosa. “Estou estudando o que sempre fiz na minha vida, que acaba sendo o que eu gosto de fazer”, conclui.

Gostou de saber mais sobre o curso de Terapia Ocupacional?

São quatro anos de curso que inclui o estágio em vários setores de saúde. O terapeuta ocupacional é o profissional que busca ajudar o paciente a realizar atividades cotidianas quando existem tais problemas. Essas atividades incluem tarefas de autocuidado (higiene, alimentação e vestuário); produtividade (trabalhar ou estudar); momentos de lazer (esportes, dança e pintura, por exemplo) e atividades sociais em geral. Pode trabalhar em clínicas; hospitais; escolas; consultórios; instituições penais; universidades; institutos de pesquisa; centros de reabilitação; centros de saúde; e/ou em organizações não governamentais. Veja mais em

 

Abril, mês de conscientização sobre o autismo: Em 2 de abril comemora-se o Dia Mundial de Conscientização do Autismo.

A cada 36 pessoas no mundo, uma tem TEA, segundo o DSM-5. Estudos apontam que muitas crianças e, inclusive, adultos não foram diagnosticados com autismo por falta de informações ou falta de acesso aos tratamentos ou profissionais de saúde.

Apesar de os sinais do transtorno variarem, há três comprometimentos que são considerados mais comuns: na interação social, ou seja, no modo de se relacionar com outras crianças, com adultos ou com o meio ambiente; na comunicação: há crianças que não desenvolvem a fala e outras que têm ecolalia (fala repetitiva); e, por último,  a questão comportamental em que as ações podem ser estereotipadas e repetitivas.

Crianças com TEA começam a demonstrar sinais nos primeiros meses de vida: elas não mantêm contato visual efetivo e não olham quando você chama na maioria das vezes. A partir dos 12 meses, por exemplo, muitas também não apontam com o dedo. No primeiro ano de vida, demonstram mais interesse nos objetos do que nas pessoas e, quando os pais fazem brincadeiras de esconder, sorrir, podem não demonstrar muita reação. É necessário ter prejuízo na comunicação, nas relações sociais e no comportamento, além de outras características.

O desconhecimento das características do TEA em geral ainda atrasa o diagnóstico, que é  dado por um médico neurologista ou psiquiatra, e feito através de observação direta do comportamento realizada por uma equipe multiprofissionais e de entrevista com os pais ou responsáveis.  Como a informação sobre os sintomas vem chegando a um número maior de pessoas, muitas crianças já tem sido diagnosticada por volta dos 18 meses, mas a maioria recebe o laudo entre dois a três anos de idade, ou além disso.

A intervenção para tratamento deve ser feita o mais rápido possível para as crianças após o diagnóstico para que ela amenize ou diminua consideravelmente os prejuízos trazidos pelo TEA.

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